Minha adaptação na Espanha

 

Juroooo que nunca me passou pela minha cabeça que um dia eu iria morar fora do Brasil. E olha quantas voltas o mundo dá. Hoje, vivo em uma das cidades mais bonitas da Espanha e não consigo imaginar recomeçar a vida em outro lugar.

Parece até brincadeira do destino, mas pensando na minha trajetória ate chegar aqui, percebi que cada passo é importante, cada passo conta.

Eu, que sempre nutri a vontade de conhecer outros lugares, outras culturas, hoje, e acho que isso ajudou bastante no meu processo de adaptação, tanto que consigo lidar positivamente com as mudanças repentinas da vida.

Minha primeira aventura longe de casa, nem era tão longe assim, mas eu coloco no curriculum da vida, porque foi uma experiência gratificante ainda que naquele momento eu não pensava dessa forma.

Fiz as malas e partir para Sampa. A sensação de ir morar em uma metropole foi intensa demais. Parecia que tinha entrado em um hospicio e jogado a chave fora. 

A vida me preparando…

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Bairro da Liberdade, em São Paulo – Arquivo Pessoal


Resumidamente, minha passagem por São Paulo foi uma loucura. Eu até perdir um sapato no metrô. Me perdi 10 mil vezes naquela grande cidade. Morei em duas repúblicas. Fiz incontáveis entrevistas de trabalhos. Muitos amigos. Ouvi muitos “nãos”. E depois de alguns meses e uns tantos esporros, me adaptei. 

Eu não sabia, mas, já era a vida me preparando para o que eu iria encontrar do outro lado do oceano. Me adaptar em São Paulo não foi fácil. E, depois de alguns meses eu sentia que vivia, mas não existia.

Acordava às 6:00h da manhã para chegar ao trabalho às 8:00h. Terminava minha jornada laboral às 18:00h e ia direto para a Universidade. Chegar em casa quase às 23:00h ou até um pouco mais tarde, virou parte da rotina.

Eu comecei a sentir na pele o estresse da vida corrida. Eu tremia mais que um pinscher. De medo, de saudades, de cansaço. 

E sei que essa é a vida de muitos outros milhões de brasileiros. E, quando meu marido (espanhol) me dizia que viver dessa forma era uma loucura, a minha única resposta era: ” Isso é normal.”

E não, não é normal, gente. Me dei conta que não era, quando minha visão limitada das coisas foi quebrada ao chegar na Europa.

Passando de fase

E aí chegou a nova fase do jogo. Hora de começar uma nova vida Europa. O peito arrebentava de esperança. Aquele gosto que só os recomeços tem, sabe? Tudo parecia que ia dar certo.

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a data na foto esta errada, desculpa 🙂

 

A primeira impressão não poderia ter sido melhor. Tudo era lindo. A sensação de ter segurança era maravilhosa. E as primeiras duas semanas eu estava radiante. Feliz.

Eu não falava espanhol, mas isso não foi uma barreira para mim. E claro, paguei muitos micos, que hoje, viram piadas nas reuniões em familia.

 

Cheguei em um país afundado numa crise econômica sem precedentes. Alto índice de desemprego e sem planejamento como muitos outros brasileiros. Acreditando, fielmente, que sim, tudo daria certo, porque não?

Veio o primeiro mês e o segundo. Os dias passaram e a felicidade também. Comecei a me sentir perdida. Sozinha. Sentia falta do meu dia a dia no Brasil.

Ficar sem trabalhar, sem estudar,  em meio a um leque de informações contraditórias fez eu conhecer o outro lado da moeda. E sofrer na Europa, meus queridos, tá longe de ser uma maravilha.

Veio outro mês e aprendi a lidar com a “Brasileirofobia”. Triste realidade.  Tentei fazer amizade com meus conterrâneos, mas a sensação de que brasileiro foge de brasileiro no exterior, ficou evidente.

Tentava ajeitar a vida por todos os lados, mas não conseguia. Foram muitos erros, pouco planejamento e a certeza que recomeçar a vida no experior  de qualquer maneira era a pior opção.

 As dificuldades do inicio

Sempre fui muito positiva e mesmo tudo dando errado sempre acreditei que certas coisas passam para ensinar algo. 

Perdida em uma maré de dúvidas, entrei em uma ONG para aprender espanhol e conheci pessoas de várias partes do mundo. Comecei a buscar trabalho e formas de regularizar minha situação no país. 

Foi meu primeiro passo para “arrumar a bagunça”. Mas, faltava. Faltava meu sonho de terminar a universidade. Faltava eu ter um trabalho. Faltava eu aceitar a minha nova rotina.

Nesse meio tempo morando na Espanha, a comida foi minha grande companheira, e acabei ganhando 10 kg.

Como se já não bastasse os tempos díficeis, resolvi ir cortar o cabelo para dar uma animada na minha auto-estima. PRA QUE?? E aí, amigos, aquele ditado popular nunca fez tanto sentido na minha life : ” Nada é tão ruim que não possa piorar.” Senhor!!

Fiquei a cara da Tina Tuner, versão pobre, claro! ( Quer saber mais dessa história? Só vem: Salão de beleza na Espanha

O Arrependimento

Aceitar era minha grande dificuldade. Eu queria tudo no meu tempo e só depois percebi que não era assim que a banda tocava. 

Eu comecei a me sentir muito triste, sozinha, e frustrada. A saudade de casa, da familia, dos meus amigos e do Brasil veio sem freio e a vontade de voltar para a minha zona de conforto já era maior que tudo.

E claro, veio o arrependimento. E meu casamento com a Espanha entrou em crise. Voltei para o Brasil. E, minha gente, eu aprendi que não existe nada como voltar a um lugar para ver que  nada mudou, mas você sim.

Vida que segue…

Cheguei no Brasil e foi um calmante para meu coração. Ter novamente minha familia e amigos por perto era tão bom, mas algo tinha mudado. Eu mudei.

É incrivel carregar no peito a sensação de não saber de onde você faz parte, porque, eu já não me sentia tão brasileira,  não me sentia parte daquele lugar. Era estranho.

E vi que a vilã da história era apenas uma: eu. Não adiantava eu colocar a culpa nos outros, nem comparar minha experiência com a de outras pessoas, nem na crise econômica, em nada. Eu dei o passo errado. E ainda bem que eu me dei conta disso a tempo.

Não aguentei! Tive que fazer as pazes com a Espanha, porque, sem eu saber,ela ja fazia parte de mim. E assim surgiu meu blog, uma maneira de mostrar que nem sempre a grama do vizinho é mais verde, que nem sempre sua experiência será igual a de outras pessoas, que nem sempre tudo que acontece é ruim. 

Quer saber como foi minha adapção pós reconciliação com a Espanha? Então vem que eu te contoMorando fora | Minha vida depois de 4 anos na Espanha


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Saludos!!

 

Taiana Jimenez

Sou brasileira, residente e apaixonada pela Espanha. Amante de viagens e da cultura espanhola, compartilho com vocês minha experiência e as melhores dicas para quem deseja morar, estudar ou turistar pela terra de Cervantes!

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